As maiores altas do dólar na história

Em maio de 2020, os jornais digitais informavam: “dólar tem a 5ª alta” ou “dólar passa dos R$ 5,80 e bate recorde”, entre outras manchetes. A partir disso, muita gente começou a se perguntar se esse recorde representaria a maior alta do dólar na história da cotação. 

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No entanto, para termos essa resposta, a gente precisa considerar alguns pontos importantes. Por exemplo, esse recorde anunciado é o recorde nominal desde o Plano Real, que é o valor sem considerar a inflação. Aliás, nessa época, o dólar tinha acumulado alta de 45,5%. 

As maiores altas do dólar na história
Foto: (reprodução/internet)

E tem mais detalhes importantes. Um deles é o fato de que essa cotação do dólar se refere ao dólar comercial. Logo, o interessado em comprar o dólar para viagens, no que é chamado de dólar turismo, teria que pagar bem mais nas corretoras de câmbio. 

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E na mesma matéria que cita essas notícias, a gente também encontrou um trecho explicando o dólar nominal, que é sem descontar a inflação do Brasil e dos Estados Unidos. O texto ainda informa outro dado, sendo:

“Levando em conta a inflação, o pico do dólar foi durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso, em outubro de 2002. O valor nominal na época foi de R$ 3,9, mas o valor atualizado passaria dos R$ 7”. E a gente foi atrás da informação para entender essa conta toda. 

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Abaixo, na segunda parte do conteúdo, nós vamos falar desse estudo e citar as outras altas do dólar também. Só que antes, porém, vamos entender as causas e as consequências da alta do dólar. Bora lá?

As causas da alta do dólar

Todos os eventos externos podem impactar na cotação do dólar. Mas, também há questões estruturais e internas que fazem isso. Por exemplo, o crescimento econômico do país. Logo, se ele é desfavorável ao PIB americano, o dólar sobe. Isso aconteceu em 2020. 

As maiores altas do dólar na história
Foto: (reprodução/internet)

Outro ponto é sobre a falta de investimento estrangeiro dentro do país. Quando isso acontece, há menos dólares circulando por aqui. Logo, a cotação sobe. Mas, com mais investimentos estrangeiros, o dólar cai. É algo proporcional. 

Mais um ponto estrutural é sobre a taxa de juros do país. Nesses últimos anos, a gente teve uma sequência de cortes na taxa Selic. Logo, isso tornou os nossos papéis da dívida pública bem menos atrativa. Então, você já sabe. 

E dá ainda para falar da balança econômica. Ou seja, é a relação entre o preço que a gente paga ao importar produtos e o que recebemos ao fazer a exportação dos nossos produtos. Se ela é desfavorável para o Brasil, então, nós temos a alta do dólar frente ao real.

Em 2020

No ano passado, o grande motivador para a alta do dólar foi a crise econômica global. Assim, investidores de vários países fizeram o resgate de ativos de países emergentes. Logo, optaram por investir no Tesouro Americano, que é visto como mais seguro e confiável. 

Assim, se a gente for colher as opiniões gerais dos especialistas, a gente vai ver que a alta do dólar em 2020 tem a ver com a aversão ao risco, como sintoma da pandemia. Inclusive, isso não afetou apenas o real, mas também as moedas estrangeiras. 

Só que por outro lado, se a gente notar o desempenho do real frente a outras moedas, a gente vê que tivemos um problema maior do que eles. Logo, não foi apenas a Covid-19 que movimentou essa alta. Há ainda fatores extras, como os que falamos acima. 

O estudo para encontrar a maior alta do dólar na história

O Centro de Macroeconomia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas fez um estudo para indicar o valor nominal e real do dólar desde a criação do Plano Real, no ano de 1994. Por curiosidade, o valor nominal é a taxa de câmbio e o valor real do dólar é o preço corrigido pela inflação. 

As maiores altas do dólar na história
Foto: (reprodução/internet)

Assim, a pesquisa levou em conta a inflação brasileira e a americana no período, o que tornou possível um estudo mais assertivo, conforme as cotações passadas. 

Conforme a FGV, o pico aconteceu em 2002, às vésperas do 2º turno das eleições presidenciais. Assim, as incertezas causadas devida a política econômica do governo Lula foram marcantes para esse momento. 

Emerson Marçal, também da FGV, falou disso: “Foi um período de pânico da economia brasileira com a eleição e com as contas externas em uma situação difícil”. Em 21 de outubro daquele ano, o dólar estava em R$ 3,96 em valores nominais.

No entanto, quando a conta é feita para o valor real, a gente descobre que o dólar esteve em R$ 7,64, com base no estudo apresentado inicialmente no site do E-investidor

As maiores altas do dólar

Considerando apenas os valores reais da evolução do dólar entre 1996 e 2020, a gente vai ter um gráfico que será apresentado abaixo. Ele foi projetado pela FGV e publicado no E-investidor, como já mencionamos acima. 

De todo modo, a gente trouxe os dados em tópicos, considerando os maiores picos da história e não, necessariamente, as maiores altas diariamente. E a ordem está de forma cronológica. Veja cada um dos itens:

  • 02/03/1999 – R$ 4,94
  • 20/09/2001 – R$ 5,79
  • 21/10/2002 – R$ 7,64
  • 23/05/2004 – R$ 5,39
  • 04/12/2008 – R4 3,80
  • 23/09/2015 – R$ 4,70
  • 26/04/2020 – R$ 5,64

Novamente lembrando: a gente trouxe aqui, conforme a imagem, os maiores picos. De todo modo, dá para concluir que mesmo com um dólar tão alto assim nesse ano que passou, ele ainda não chegou ao pico máximo, que foi em 2002. 

As maiores altas do dólar na história
Foto: (reprodução/internet)

O estudioso conclui isso dizendo que: “o grande medo é o risco político. Mas, olhando friamente, se tudo mantiver no caminho, o mercado de câmbio deve se acalmar e não vamos bater o recorde real de 2002”. 

O menor valor real do dólar

Também como curiosidade, saiba que em termos reais, pensando na cotação do dólar desde o Plano Real, a gente teve um pico para baixo em 2001. Assim, a cotação nominal ficou em R$ 1,53 e com o ajuste da inflação isso daria algo como R$ 2,15.

A explicação é que o real estava muito valorizado nessa época, devido a descoberta do pré-sal e aos períodos de juros reais bem baixos no mundo todo. Para o professor da FGV, Marçal, isso não deve acontecer no futuro próximo. 

“Estávamos mal-acostumados, o dólar não aguenta ficar nem muito alto, como em 2002 e nem muito baixo, como em 2011”, ele garante. 

Mas, como o dólar impacta a economia do país?

Se a gente for falar francamente e rapidamente, a gente pode pensar que a ideia do dólar alto é ruim para a economia nacional, certo? Cuidado porque há outros pontos a serem observados também. Se você vai viajar para o exterior, com certeza, isso é bastante ruim. 

As maiores altas do dólar na história
Foto: (reprodução/internet)

Além do mais, um segundo ponto negativo tem a ver com o custo de vida dos brasileiros. Afinal de contas, muitos produtos ou serviços, que são diários, possuem processos produtivos que tem impacto com o dólar alto – ainda que não sejam importados. 

O que acontece, quase sempre, é que as empresas transferem esses custos para os clientes. 

O problema maior está em achar que apenas a alta do dólar interfere no preço dos produtos, o que não é verdade. A inflação também tem peso importante nisso, sendo que, no fim das contas, independente do motivo, o consumidor paga o preço – e o pato.

A boa notícia é que a gente, enquanto investidor, pode ganhar com essa alta do dólar.

A inflação

Para contextualizar tudo até aqui vale mencionar a inflação também – e o peso dela. Basicamente, o conceito conta sobre o aumento generalizado dos preços em um determinado período de tempo, certo? Assim, a mudança da cotação do dólar afeta a inflação.

Isso porque se o produto consumido tem elementos importados, logo, há uma depreciação do real. E isso aumenta o preço. Assim, apesar de todo mundo pensar em eletrônicos quando se fala em dólar, saiba que até o pão (que vem do trigo) pode ser afetado pela moeda norte-americana. Por isso, há sim relação entre ambos: dólar e inflação.

A alta do dólar para o investidor

As maiores altas do dólar na história
Foto: (reprodução/internet)

Obviamente, aqui não temos uma recomendação de compra de ativos ou investimentos, ok? Mas, é bacana saber que uma estratégia que inclui a compra de dólares, esperando a valorização, pode ser bem-vista. Então, deve-se vender quando ele estiver no topo máximo.

Além do mais, para quem atua de forma autônoma dá para pensar também na possibilidade de explorar o produto ou o serviço para o exterior. Assim, isso aumenta a receita na proporção da moeda. O que também é uma boa visão para quem investe ou pensa em investir. 

Agora, pensando nisso, será que vale a pena esperar o dólar voltar a ficar abaixo dos R$ 2? Na verdade, quase nenhum especialista acredita nisso. E tem mais: se acontecer será no mais longo prazo, o que exigiria uma transformação na economia do país. 

Por outro lado, vem a pergunta: então, o dólar subirá ainda mais neste ano? Ninguém sabe disso. Ou, pelo menos, ninguém tem certeza sobre isso. Isso depende das questões estruturais, internas e externas, como vimos em todo decorrer do artigo até aqui.