Fluxo global de investimento estrangeiro tem maior queda em 30 anos

O ano de 2020 foi marco de mais um recorde de impacto negativo no cenário do mercado financeiro. Segundo a Agência das Nações Unidas, para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o mundo foi afetado também pela maior queda de Investimentos Global Direto (IED).

Ainda de acordo com o órgão, o valor de investimentos ficou em torno dos U$$ 859 bilhões, uma baixa de 42% ante o aporte de 1,5 trilhão do ano anterior. Esse valor não ficava tão abaixo desde 1990 e está diretamente relacionado ao clima de incertezas da pandemia.

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Fonte: (Reprodução/Internet)

Diante da instabilidade é esperado que o fluxo de IED prossiga baixo, inclusive no Brasil que teve um déficit de aproximadamente 33 bilhões de dólares. Além de um corte de investimentos que atingiu sobretudo o setor de indústrias, como transportes e de extração de petróleo, e os serviços financeiros.

Situação macroeconômica sobre influência da pandemia

Os desequilíbrios na economia global diante da crise de Covid-19, e das segundas ondas da doença na Europa e Brasil, vem preocupando a situação macroeconômica. Isso acontece principalmente entre os mercados emergentes, que são os mais afetados pela queda de investimentos estrangeiros.

Segundo o relatório da agência Unctad, no ano passado o IED chegou a U$$ 850 bilhões, baixa de 42% em relação aos 1,5 trilhão do somatório de 2019, esse fluxo também foi U$$ 630 bilhões menor e 30% inferior ao choque da recessão financeira do ano de 2009.

Queda atinge economias desenvolvidas e subdesenvolvidas

A pesquisa revela que entre os países mais atingidos estão as economias do Reino Unido, Itália, Estados Unidos e Alemanha. Entre os emergentes estão o Brasil e China, no entanto essa última a tempo conseguiu reverter o índice negativo.

Portanto, o declínio foi mais sentido na Europa, cerca de 80% de desvalorização e perda líquida de 69% de recursos IED, correspondendo a U$$ 229 bilhões, valor que não era visto há 25 anos.

Já o Brasil, e outros países em situação de subdesenvolvimento, receberam U$$ 616 milhões, logo menos impactados com a crise de saúde do coronavírus. Esse número resultou no aumento do percentual de nações em processo de desenvolvimento em 72%, dessa vez um recorde positivo.

Brasil é atingido com corte pela metade de IED

Diferente da China, também participante do bloco das cinco economias emergentes dos BRICS que fechou o ano com balanço positivo, superando inclusive o número de investimentos dos EUA, o Brasil recebeu corte estrangeiro pela metade, representando U$$ 33 bilhões.

Nessa perspectiva, o país que era um dos maiores prospectores do IED, ocupando a sexta posição da Unctad, caiu duas posições. De acordo ainda com a agência, o corte de 50% foi inferido como a “paralisação” dos programas brasileiros de concessões de infraestrutura e privatização.

Outros problemas estruturais enfrentados pelo país também foram tomados como problematizadores, para que o mesmo consiga uma recuperação econômica, apontado como possível em 2021 para os países europeus que também foram os mais afetados pelo declínio de investimento estrangeiro direto.

Em 2021, a tendência de fluxo deve prosseguir em queda

Estimativas só preveem melhora da prospecção para 2022, assim é esperado um fluxo em queda de 5 a 10% para o presente ano. Em países subdesenvolvidos, mesmo aqueles que receberam maiores investimentos do setor também irão atravessar momentos de resistência para o IED.

Países da América Latina, África e Ásia são alguns dos que tiveram as maiores perdas em 2020, o que consequentemente tem impacto em questões fundamentais de desenvolvimento da infraestrutura e capacidade produtiva.

Representantes do órgão enxergam o panorama do estímulo efetivo em uma curva U, onde acontece uma curva abrupta, investimento gradual e só após crescimento robusto. Essa realidade reflete a tendência dos investimentos internacionais serem de reação tardia.

References

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Camila Nogueira
Camila Nogueira
Sou Camila Nogueira, editora de conteúdo no PagMundo. Produzo artigos sobre cartões de crédito, empréstimos, dicas financeiras e economia global, sempre com foco em tornar a informação clara e acessível. Tenho formação em Administração de Empresas e mais de 10 anos de experiência em comunicação digital aplicada ao setor financeiro. Meu objetivo é ajudar os leitores a tomar decisões inteligentes sobre dinheiro, consumo e oportunidades.