Carga tributária é alta no Brasil, mesmo com crise econômica

O dinheiro em circulação é uma das formas de analisar como anda a economia de um país. Para que haja cada vez mais movimentação econômica, uma das medidas tomadas pelo Estado é o recolhimento de impostos.

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Portanto, quanto pior estiver a máquina econômica, é natural que a quantidade de tributos recolhidos também dê uma diminuída. Afinal, se não tem muito dinheiro em circulação, não é possível manter a cobrança de impostos no mesmo nível.

Porém, não é bem isso que anda acontecendo no Brasil. Mesmo enfrentando dias sombrios na economia, um cálculo realizado pelos economistas José Roberto Afonso e Kleber de Castro aponta que 35,07% do PIB foi destinada apenas para a carga tributária em 2018. Esse percentual é equivalente a R$ 2,39 trilhões.

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Fonte: reprodução/internet

Carga tributária recolhida é histórica

Os valores obtidos com a pesquisa dos economistas, causou espanto. Para confirmar se a carga tributária havia sido tão alta no ano passado, foram realizadas várias checagens e consultas a outros especialistas da área. Mas, o número se confirmou.

Do total de dias trabalhados pelo cidadão brasileiro em 2018, 128 dias foi a quantidade necessária apenas para fazer o pagamento de tributos. Em números mais exatos, R$ 11.494 foi o valor que cada trabalhador deu ao Estado em forma de impostos. Para realizar os cálculos, foram utilizados dados de fontes oficiais, armazenados em registros públicos.

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Comparando esse resultado com outros momentos vividos pelo Brasil, o crescimento do peso que os tributos tiveram no PIB, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, ficou em 1,33 ponto percentual. Anteriormente, o maior percentual já alcançado pela carga tributária foi de 34,76% do PIB. Nos últimos 17 anos, esse foi o maior crescimento apresentado.

Desde 2008, o percentual da carga tributária vinha diminuindo consideravelmente. Em 2015, esse decrescimento foi de 1,92%. No entanto, o cenário começou a ficar conturbado em 2016, com um avanço 2,23%.

As possíveis causas

Os motivos relacionados às atividades econômicas que podem explicar esse desempenho são inexistentes. Porém, de acordo com os economistas, o melhor é admitir que em alguns setores específicos da economia foi possível ver uma certa melhora. Fora isso, o recolhimento realizado pelo governo com o aumento de alíquotas, combustíveis e fiscalização também contou com maiores esforços.

Outra coisa que pode ter grande interferência são os royalties do petróleo. Os royalties foram puxados pelo crescimento do preço do produto no mercado internacional. Além disso, houve também uma performance anormal dos tributos tradicionais, como o ICMS e o Imposto de Renda.

No entanto, o peso maior da cobrança é da União. Somente a entidade conseguiu fez o arrecadamento de 23% do PIB, o que indica R$ 1,5 trilhão. Segundo Kleber de Castro, que é sócio da Finance Análise e Consultoria, ainda não é possível dizer se a alta foi uma exceção ou se essa realmente é a tendência para os próximos anos.