Endividamento de famílias brasileiras cresce pelo sétimo mês seguido

A última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência da Confederação Nacional do Comércio não trouxe boas notícias para o contexto econômico do Brasil. Divulgada na última terça-feira, a análise aponta que o número de conjuntos familiares que se encontram endividados aumentou.

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A Confederação Nacional do Comércio - CNC, que é a entidade responsável pelo apuramento indica que este é o sétimo mês seguido que o aumento acontece. Comparando os resultados com os últimos 6 anos, o percentual é o maior de todos.

O cenário de uma uma maneira geral, se repete: famílias com renda maior conseguem manter uma poupança mínima e as famílias com uma renda menor, se endividam e isso se acentua de acordo com o cenário econômico do país.

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endividamento
Foto: (reprodução/internet)

Índice de endividamento é o maior em três anos

Quando 2019 chegou em junho, o percentual de famílias endividadas era 64,0%. Com a análise do último mês o aumento foi de 0,1%, chegando aos 64,1%. Agora, comparando a julho de 2018 essa alta é ainda maior. Afinal, no ano passado o índice percentual era de 59,6%.

Agora, em maio, quando foi analisada a renda acumulada em 12 meses, a taxa de endividamento cresceu para 44,4%. Essa porcentagem é a maior desde abril de 2016, quando marcava 44,2%. No último ano o valor era bem menor, marcando 41,9% de endividados.

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Algumas pessoas consideram o indicador comum, devido ao momento econômico que o país está atravessando no momento. Afinal, ainda é possível ver vestígios do processo de redução de débitos pós-recessão econômica.

O comprometimento de renda se mantem estável

Por outro lado, a inadimplência e o comprometimento da renda das empresas conseguiram se manter estáveis, de acordo com o Banco Central. Nos últimos dois anos, o BC garante que o percentual de renda destinado ao pagamento de dívidas (inclusive o financiamento imobiliário) permaneceu em 20%.

Já para pessoas físicas, na carteira de recursos livres, a inadimplência fica alternando entre 4,7% e 4,8%. Esse valor indica uma pequena redução, pois na maior parte do ano passado o percentual foi superior a 5%. O comprometimento da renda, por sua vez, não chega aos 30%, ficando entre 29,5% e 29,9%.

Dessa forma, é possível concluir que apesar de a população estar mais endividada, os débitos continuam sendo, em sua maioria, honrados mensalmente. A preocupação realmente é quanto ao mercado de trabalho, que ainda não apresenta um desenvolvimento considerável.

Os impactos no mercado informal de trabalho

Essa realidade acaba se tornando propícia para a geração de cada vez mais funções de trabalhos sendo geradas e exercidas de maneira informal. Além da informalidade, remunerações que são consideradas abaixo do normal também acabam sendo aceitas pelo brasileiro.

As causas para o crescimento de pessoas endividadas sempre retornam para o mesmo lugar: operações de crédito. Tratando-se de pessoas físicas, o saldo dessas operações está bem acima da massa de renda. Além disso, um crescimento na quantidade de juros recolhidos no primeiro trimestre também pôde ser observada.

É o que aponta Isabela Tavares, que é uma das economistas da Tendências Consultoria.

"Há uma sazonalidade nos juros e spreads no início do ano, mas em 2019 esse aumento extrapolou a questão sazonal, talvez por causa do ambiente de incertezas. Houve uma queda em abril e maio, mas que não compensou os aumentos anteriores.”